Nicole Maines, de Supergirl, publica carta aberta sobre declarações de J. K. Rowling

Dreamer (Nicole Maines) em Supergirl (Imagem: Reprodução / The CW)

Na última semana a escritora J. K. Rowling, conhecida por criar a série de livros Harry Potter, causou novamente revolta entre seus fãs e a comunidade LGBTQ+ por seu posicionamento quanto a pessoas transgêneras. Ao comentar no Twitter uma matéria que usou a expressão “pessoas que menstruam”, as palavras da escritora foram consideradas ofensivas e transfóbicas.

Diversos atores que fizeram parte do universo de filmes do Harry Potter se pronunciaram sobre a polêmica, inclusive a própria Warner Bros. Agora, a atriz Nicole Maines, que interpreta Nia Nal / Sonhadora na série Supergirl também comentou sobre o ocorrido. Maines é uma mulher trans e na série da DC ela interpreta um heroína trans, tanto que em um episódio da série ela teve que lidar com um vilão transfóbico.

Na carta aberta divulgada pela Variety, Nicole Maines escreveu: “A parte central do movimento trans-excludente e os argumentos residem na ideia de que mulheres trans são uma ameaça para a segurança de mulheres cisgênero, e por nos darem a permissão de existir em locais públicos e participar da sociedade, estaríamos tirando os direitos de outras mulheres. Eu não desconheço esse argumento. A primeira vez que eu ouvi, ainda estava na escola. Um artigo estava circulando sobre eu usar o banheiro feminino em minha escola em Orono, Maine. Havia uma garota, que devia ser de uma série ou duas acima da minha, e que disse que tinha medo de me ver no mesmo vestiário porque ‘ela vai olhar para mim enquanto eu estiver me trocando’. […] Como uma criança da sexta série, foi muito desolador saber que eu estava sendo excluída porque as pessoas achavam que eu era algum predador perigoso”.

A atriz acrescentou: “Em seu ensaio, onde ela reiterou seus comentários transfóbicos, J.K. Rowling escreve: ‘Quando você abre as portas dos banheiros públicos e vestiários para qualquer homem que se sente mulher… então você abre as portas para qualquer homem que queira entrar’. Há muitas coisas nisso a se refutar. Primeiro de tudo, não é tão simples. Ela está tentando ver isso de uma forma muito unidimensional e absolutista, e você não pode ver sexo e gênero desse jeito”.

“Eu tive que passar por anos de terapia e aconselhamento antes de mudar minha identificação de gênero na carteira de identidade. Eu tive que obter duas cartas de recomendação vindas de diferentes psicólogos. Eu fui questionada por todos na minha vida se eu me conhecia bem ou não como eu dizia que me conhecia. Ninguém passa por todo esse questionamento, essa invasão em sua identidade para ir a um banheiro e ver um completo estranho dizer: ‘Ei, você não pode estar aqui. Você é alguém que apenas decidiu ser uma garota um dia’”, acrescentou.

“O que torna isso tão triste e desapontador é que eu era – e ainda sou – uma fã de ‘Harry Potter’. Eu sou da Sonserina. É desolador para muitos fãs LGBTQ da franquia. Esses livros ajudaram muitos a se assumir e aceitarem suas próprias identidades. Quantas crianças jovens e queer fantasiam em sair do armário e aprender magia? Esse é o melhor cenário possível. Os comentários de Rowling atestam contra a mensagem de seus livros – sobre a força da união, inclusão, auto-descobrimento, bravura e triunfo contra as adversidades. [As ideias da autora] são contraditórias ao mundo que ela criou. Mas eu ainda sou uma fã, e vou dizer o motivo: esses livros e suas mensagens ainda existem, e quaisquer ideias que Rowling tenha pessoalmente não podem tirar isso de nós. Ninguém pode tomar isso de nós, e esse mundo realmente pertence aos fãs agora. Ninguém pode mudar se foram esses livros que ajudaram você a se assumir. Isso pertence a você”, Nicole Maines finalizou.