Nicole Maines, de Supergirl, revela expectativa sobre personagens trans

Nia (Nicole Maines) em Supergirl
Nia (Nicole Maines) em Supergirl (Reprodução)

Nicole Maines chegou de mansinho e ganhou seu espaço na TV, na série Supergirl. No programa, ela interpreta Nia, alter-ego da heroína Sonhadora, a primeira transgênero assumida numa adaptação dos quadrinhos. Nas duas últimas temporadas seu trabalho no programa chamou a atenção do público, assim como seu trabalho fora dele como ativista pelos direitos LGBT. Mas ela ainda quer mais.

Em entrevista à revista Variety, a atriz explicou que gostaria que chegasse um momento em que os personagens trans pudessem ser retratados na tela sem a aura de perfeição, e como sendo seres imperfeitos, que cometem erros assim como os personagens cisgêneros.

“Eu acho que mais e mais personagens trans [podem] ser menos do que perfeitos, podem ser idiotas e ser os vilões”, explicou Maines. “Nós podemos olhar para eles e pensar: ‘Eles são apenas pessoas. Eles fazem más escolhas. Eles podem ser pessoas más. Eles podem não ser legais. Isso é ser uma pessoa normal”, disparou.

A jovem explicou que tem muito cuidado na forma como interpreta Nia, justamente devido à escassez de personagens trans na telinha. “Quando comecei a interpretar Nia, fiquei realmente nervosa de mostrar alguma coisa que não era favorável. Fiquei apreensiva por possivelmente mostrar que ela fazia escolhas erradas ou que reagia mal a alguma coisa. Eu precisava que ela fosse um sucesso. Eu precisava que Sonhadora e Nia fossem intocáveis”.

“A representatividade está sobre os ombros de apenas alguns [atores]. Então, tudo o que acontece com esses personagens reflete o resto da comunidade trans. Se somos algo menos que perfeito, isso vai refletir mal no resto de nós”, explicou Maines, que hoje aos 22, se lembra de quando começou sua luta ativista aos 13 anos, quando ela e sua família processaram o distrito escolar de Maine por ela ser impedida de usar um banheiro feminino. “Isso me lembra de não me sentir confortável, que não importa quanto progresso eu faça em um estado ou país, isso não reflete a segurança das pessoas trans no mundo inteiro”, disse ao falar sobre a decisão da Hungria de não reconhecer legalmente pessoas trans.