No tribunal, e-mail de Amber Heard confronta versão de Johnny Depp sobre agressão; entenda

Johnny Depp (Foto: Divulgação)

O processo movido por Johnny Depp contra o jornal The Sun está a todo vapor, e nesta quarta-feira, 08 de julho aconteceu o segundo dia de depoimentos. O ator acusa o veículo de difamação após o mesmo publicar uma capa o chamando de ‘espancador de mulheres’.

O protagonista da franquia Piratas do Caribe se defendeu dizendo que eram falsas as acusações contra si, e explicou que seria incapaz de agredir uma mulher, que não faz parte de sua educação, alegando que Amber Heard, sua ex-esposa, é uma sociopata, que se aproximou dele para ascender em sua carreira de atriz.

No primeiro dia do julgamento, o ator foi confrontado com um vídeo de 90 segundos que aparece alterado batendo portas dos armários de sua cozinha, com uma garrafa de vinho nas mãos, e nesta quarta-feira, para provar que o jornal não mentiu ao chama-lo, de espancador, a advogada do NGN (grupo de mídia dono do The Sun), Sasha Wass leu um e-mail escrito por Heard, e não enviado.

A atriz de Aquaman teria escrito a mensagem em junho de 2013, e mantido-a parada em sua caixa de saída, e ainda naquela época já dando detalhes do comportamento agressivo do então namorado, e futuro marido (Amber e Johnny se conheceram em 2011, passaram a morar juntos em 2012, e se casaram oficialmente em 2015, se separando no ano seguinte).

Ao ouvir a leitura do longo e-mail escrito por Heard, Depp alegou que aquela não era uma prova confiável, já que nunca chegou até ele. “Ao ouvir você ler este (e-mail), que não foi enviado a mim, e a partir de algumas das informações que obtive da minha experiência ontem e depois de ter estudado o caso, sugerirei, senhora, que me parece que A Srta. Heard estava construindo um dossiê muito cedo, que parece ser uma apólice de seguro para mais tarde”, disparou ele.

Veja abaixo o conteúdo do tal e-mail:

“Só não sei se consigo mais fazer isso. É como o Dr. Jekyll e o Sr. Hyde. Uma metade sua, eu amo, a outra me assusta. Eu gostaria de poder lidar com isso, mas não posso. O problema é que nunca sei com o que estou lidando até que seja tarde. A bebida, as drogas, o menino violento e inseguro. Tudo isso parece garantir que estou lidando com um monstro. Mais uma vez, é bom saber quando, e quanto tudo faz diferença. Às vezes a ressaca na manhã seguinte é tão ruim quando o banho de sangue na discoteca. Você vive em um mundo de facilitadores, e se ressente (percebendo ou não) com todos que não são iguais. […] Eu assisti ontem enquanto todos ao seu redor te pegavam do chão, te seguravam. Com tanta ajuda ao redor é impossível saber o quanto isso te machuca, afinal você paga as pessoas para te impedirem de chegar ao fundo do poço. Ontem, eu vi você desmaiar, por vômito, três vezes. Todas as três vezes que Jerry o tirou do chão”.

“No avião, Nathan mencionou quantas vezes ele teve que arrombar portas trancadas para acordar você, depois de desmaiar no banheiro. Você teria se envergonhado inúmeras vezes se alguém fosse honesto o suficiente com você para lhe dizer. Se alguém o filmasse enquanto você estava nesse estado, ficaria mortificado. É embaraçoso ver isso acontecer. Você não sabe, porque as pessoas (amigos?) continuam sorrindo para o seu rosto e depois virando a cabeça e revirando os olhos, porque se sentem ridículas tendo que segurar um homem adulto por causa de mijo e vômito, sabendo que ele nunca será capaz de perceber o quão ruim é aquilo”.

“Pílulas para ressaca não são muito melhores. Você é mau e insensível. Não tenho motivos para ficar com você. E eu não vou. Você não me paga, não preciso mentir para você pelo meu trabalho, meios de subsistência ou filhos. Eu nunca vou querer ficar presa a você. Percebo que minha liberdade é agora a única coisa que tenho para me proteger. […] Eu mesmo assisti você desmaiar no chão depois de se sentir doente. Numa dessas vezes você se cortou tanto que precisou de pontos. Você diz coisas que não quer dizer. É impossível argumentar com voê porque todo mundo te aplaude, mas o pior é que você mente para si mesmo e acredita nisso”

“Você tem tantas pessoas sim ao seu redor constantemente protegendo você de si mesmo e da verdade. […] Se eles deixassem você no chão, com sua própria merda, trancado no banheiro quando você faltasse ao trabalho – então você poderia realmente aprender. Aprender a cuidar de si mesmo. […] Você apenas deixa que eles façam todo o trabalho duro enquanto você foge de seus problemas incapaz de suportar a dor”.

“Um homem tão grande que você precisa de seus assistentes pagos e família para carregar e te limpar depois de você. Um homem de verdade não precisa ser tratado como um bebê! O que vi ontem à noite foi uma criança. Você me fez sentir segura no começo como se pudesse cuidar de mim, ou formar uma família, me fez sentir que era um homem de verdade, mas isso era metade de você. O que eu vejo é uma criança carente”.

“Então você se safa de tantas mentiras que diz para si mesmo, porque não está acostumado com as pessoas te dizendo a verdade. […] Para te dar uma referência, que tal quando você pensou que eu tinha batido em você antes, ou quando estava escondendo drogas – a lista continua. Admita suas próprias babaquices. Muitas vezes você me machucou. Fisicamente e emocionalmente pelas coisas que você diz e faz. De repente aparece o monstro, que é o oposto do motivo pelo qual te amo”.

“E o que devo fazer? Como você seria se estivesse apaixonado por uma pessoa que realmente parecem duas? Você, o amor da minha vida, e o monstro que vejo, parecem iguais. Me sinto confusa. […] Eu me apaixonei por você enquanto você estava sóbrio. Como eu poderia saber que isso estava reservado para mim? Como você se atreve a me fazer apaixonar por você, para depois me apresentar essa outra metade?! Eu me sinto a maior idiota do mundo. Eu aguentei muito. Eu limpei o vômito e a merda, literal e figurativamente, fui acusada de várias merdas – nada disso eu merecia – apenas para nunca ouvir um pedido de desculpas pelo seu zelo alimentado por bebidas. Você me bateu repetidamente. Algo que você nunca deveria ter feito. Que cara de merda você é. E nada disso seria possível sem a bebida e as drogas. NADA”.