Vou confessar para vocês que eu fui assistir nos cinemas ao filme Street Fighter (1994), com vontade própria e muito amor no coração. E, na época, eu me empolguei com o filme. Afinal, era um jogo de videogames nos cinemas, e era tudo o que eu queria ver naquele momento.

Porém, quando crescemos e amadurecemos, desenvolvemos algo chamado ‘senso crítico’, e algo que era legal no passado se torna vergonhoso no presente. Como, por exemplo, dançar a Macarena na festa de formatura do colegial (mas essa é outra história).

Hoje, eu tenho plena consciência que Street Fighter é um filme terrível. Horroroso. É medonho de tão patético. E nem preciso olhar para os detalhes para definir a ruindade que é esse longa, que toma a estapafúrdia decisão de deixar os protagonistas do game (Ryu e Ken) em completo segundo plano, apenas para, de forma conveniente, contar com os astros de renome em papeis secundários.

A Capcom cometeu o erro de investir US$ 30 milhões de dólares nos salários de Jean-Claud Van Damme, Kylie Minogue e Raúl Julia para garantir as bilheterias de um filme caça-níquel sem qualquer tipo de vergonha ou pudor. Mas isso fica ainda pior quando uma lenda dos bastidores desse filme se torna real.

Quase 25 anos depois de sua estreia, o time de produção de Street Fighter confirmou sem maiores rodeios que Van Damme trabalhou no longa totalmente virado no jiraya, louco de cocaína. Isso atrapalhou consideravelmente as filmagens do longa, e podemos ver isso de forma mais clara no próprio desempenho do ator na interpretação do Coronel Guile.

Outro ponto de reclamação dos fãs em relação à Street Fighter é o fato dele ser um filme de luta que quase não tem cenas de luta. Isso se explica pela saúde precária de Raúl Julia na época. O ator já estava em estágio avançado de câncer, e isso também afetou no resultado final de sua atuação.

O caos foi completado com as dificuldades que a produção enfrentou com as condições climáticas na Tailândia, a redução considerável do número de personagens do jogo e um coreógrafo de luta que sequer se deu ao trabalho de estudar o jogo que ele teria que trabalhar, e compreender que cada lutador tinha um estilo próprio de luta.

Ou seja, olhando para os detalhes, reforçamos ainda mais a ideia que Street Fighter era um filme que jamais teria qualquer chance de dar certo. Uma pena, pois é por causa de porcarias como essa (e Super Mario Bros, Double Dragon e outros) que os videogames levaram tanto tempo para dar certo nos cinemas.