Pedro Almodóvar fala o que acha da sexualidade dos filmes da Marvel

Pedro Almodóvar nos bastidores do filme “Dor e Glória” (Imagem: Divulgação)

Antes de chegar à mídia os diversos comentários polêmicos de grandes cineastas sobre a Marvel, inclusive, dizendo que o estúdio “não faz cinema de verdade”, o renomado diretor espanhol Pedro Amodóvar já havia falado sobre o que acha das grandes produções de super-heróis. Em entrevista concedida à Vulture há alguns meses, o cineasta diz sentir falta da sexualidade humana, algo tão forte na sociedade, e ainda enxerga isso como uma espécie de “autocensura” das produções de Hollywood.

“Aqui [Nos Estados Unidos], talvez, exista um tipo de autocensura que não permita que os escritores escrevam outros tipos de histórias”, disse o cineasta à Vulture.

Conhecido por produções como, “Tudo sobre Minha Mãe” (1999), pelo qual ganhou um Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, “Hable con Ella” (2002), “Volver” (2006) e “A Pele que Habito” (2011), ele ainda fala que outros lugares talvez a liberdade para desenvolver uma história rodeada por sexualidade seja maior.

“Existem muitos filmes sobre super-heróis. E a sexualidade não existe para eles. Parece que são castrados ou não têm gênero identificado, só o que importa é a aventura. Em filmes independentes, você encontra mais dessa sexualidade. O ser humano tem tanta sexualidade! Tenho a sensação de que na Espanha, na Europa, temos muito mais liberdade em tratar disso”, fala Almodóvar.

Questionado sobre a chance de dirigir uma grande produção para a Marvel, ele foi direto. “É grande demais pra mim! Gosto de ver o que estou fazendo, de dirigir filmes nos mesmo dia”, responde o diretor. “Em grandes produções, você precisa esperar muito para ver os resultados. Eu prefiro impor minha opinião como diretor. Eu fiz 21 filmes, e me acostumei a fazer as coisas do jeito que gosto, eu não me encaixo no sistema de Hollywood”, conclui.

O trabalho de direção e roteiro de Pedro Almodóvar pôde ser visto, mais recentemente, no filme “Dor e Glória”, que estreou em junho. Estrelado por Antonio Banderas, Penélope Cruz, Asier Etxeandia e Leonardo Sbaraglia, o longa acompanha a história de um cineasta em declínio, que é obrigado a refletir sobre seu passado e escolhas.

Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), apaixonada por literatura, cartas e pela magia do cinema. Escritora de histórias e trajetos dos amores.

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