Por que é importante que exista a representação LGBTI nos cinema e na TV (e em outras artes)

Eu sou negro e heterossexual. Para mim, a vida já não é tão fácil, mas eu aprendi a não me vitimizar. E ainda estou representado no mundo do entretenimento de forma razoavelmente digna e com recém empoderamento (obrigado, Pantera Negra).

Tal representatividade se traduz em um reforço positivo para celebrar a minha negritude e expressar livremente a minha sexualidade, sem medos ou dúvidas, como se tudo isso fosse algo ‘normal’ e pertencente ao status quo social sempre presente.

Infelizmente, grande parte dos membros da comunidade LGBTI não podem dizer o mesmo, vendo limitada a sua visibilidade a um reduzido número de filmes independentes, e praticamente excluídos das grandes produções dos estúdios. Ou seja, é importante reivindicar a importância de um número maior e mais eficiente representação LGBTI no mundo do cinema e de outras artes.

 

A pergunta “por que o protagonista tem que ser gay?” é imbecil e estúpida, mas é facilmente encontrada em comentários, tweets e outras vias de comunicação. Poderíamos responder com um simples “e por que não?”, mas o assunto não pode ser tratado de forma superficial.

Temos que desenhar para os idiotas por que eles são idiotas.

O principal motivo para isso acontecer é – pasmem, vejam vocês… os gays existem!

Sim, seu otário preconceituoso! Tem pessoas que gostam de pessoas do mesmo sexo, e estão integradas em nossa sociedade (muitas delas sofrendo pelo seu preconceito). Estão em todos os lugares. Por exemplo, sentado ao seu lado, nesse exato momento. Ah, e se acontecer uma invasão alienígena, muito provavelmente ajudariam a defender o planeta e salvar a sua vida, enquanto você fica em posição fetal, chorando e gemendo, com medo.

 

 

Temos personagens de todos os tipos no cinema e na TV. Então, por que invalidar um protagonista por conta de sua condição (condição, e não preferência) na hora de se interessar sexualmente por outra pessoa?

Para mim é algo óbvio e simples tal teoria, mas surpreendentemente é tema de discussão a aparição e o aumento da representatividade de personagens LGBTI nas grandes mídias. Além de ajudar os mais jovens a abraçar com normalidade a sua condição sexual (e respeitar os demais), este é o único modo de tentar resolver o problema, sempre lidando com honestidade e responsabilidade.

Nos últimos anos, o grupo antes esquecido ganhou força, justamente porque reclamou os seus direitos. Isso, somado ao impacto das redes sociais que cada vez mais se reafirma como um alto-falante dos novos tempos, mostrou a realidade do mundo gay, bissexual e transsexual a ocupar um espaço cada vez maior nos meios de comunicação.

 

 

É óbvio que Hollywood sentiu os efeitos dos novos tempos, e se aproveitou dessa maior popularidade e visibilidade para utilizar atores, membros do time criativo e campanhas promocionais para promover aos quatro ventos a inclusão em seus filmes de personagens LGBTI. Porém, de forma desonesta, a sexualidade deles não apresentava sequer um rastro na edição final dos filmes.

O mais recente exemplo dessa prática nefasta foi detectada em Jurassic World: Reino Ameaçado, onde a atriz Daniella Pineda confessou depois da estreia do longa que a homossexualidade de sua personagem foi completamente eliminada do filme.

 

 

Algo muito similar aconteceu em megahits como Thor: Ragnarok, Pantera Negra, o segundo filme da franquia Animais Fantásticos e a versão live action de A Bela e a Fera, este último cuja a dona Disney chegou a se vangloriar por definir o personagem Le Fou como abertamente homossexual para, em um momento posterior, ocultá-lo quase que completamente, deixando o mesmo entre outros personagens estereotipados.

 

 

Não só todos nós temos a necessidade de abraçar os personagens LGBTI de forma honesta, mas sim oferecer um tratamento realista, responsável, livre de clichês e sem tramas com argos argumentais que girem exclusivamente em torno de sua sexualidade (a não ser que as exigências do roteiro determinem isso).

Por fim, vale a pergunta que pode evidenciar (ou não) a problemática sobre o assunto: um filme de ação extrema clássico como Duro de Matar seria muito diferente se John McClane, no lugar de neutralizar os bandidos para salvar a sua esposa, fizesse exatamente o mesmo para salvar o seu marido?

 

 

Se você respondeu a SIM a esta pergunta, este é mais um indicativo que algo está bem errado na sua cabecinha cheia de merda, e que toda a representação homossexual, bissexual, transsexual ou intersexual existente nos dias de hoje é tão escassa como ineficaz.

Ah, sim… reveja seus conceitos. Ou para de ler esse blog. Não preciso de sua audiência. Sempre quero a chamada AUDIÊNCIA QUALIFICADA.

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