Por que os fãs estão boicotando Mulan, lançamento da Disney?

Live Action de Mulan
Yifei Liu é a estrela do novo live action Disney (Divulgação)

Parece que os fãs de cultura pop mantém-se antenados a todos os detalhes que se relacionam ao filmes. Com Mulan, novo live-action da Disney não é diferente. Nos créditos, a produção agradece oficialmente às entidades de Xinjiang, região que serviu de locação para algumas das principais cenas.

O problema é que o local já foi palco de abusos dos direitos humanos, entre eles a prisão de mais um milhão de muçulmanos que, segundo as regras locais, deveriam passar por um tipo de reeducação. Esses campos ainda existem, inclusive em Turpan, uma das cidades que aparecem nos agradecimentos do filme.

Para completar, existem também nas pequenas letrinhas uma menção à agência do Partido Comunista Chinês, responsável pela publicidade e distribuição de propaganda governamental na região.

A China é amplamente criticada por tratar minorias muçulmanas de forma abusiva. Nestes lugares, o trabalho forçado é apontado como uma prática comum. Uigures (habitantes mulçumanos da fronteira da China com Paquistão), dizem que foram submetidos a terríveis processos de doutrinação. Em contrapartida, a China acredita que eles foram treinados por militantes islâmicos para declarar guerra ao país, ao lutarem pela independência, e afirma que seus esforços nos campos de reeducação são para melhorar a segurança do lugar.

Declaração da protagonista de Mulan também é alvo de boicote

Mulan, da diretora Niki Caro foi filmado em 20 diferentes localidades da China e ainda está enfrentando outro boicote. Uma pmo chamado #BoycottMulan, que tomou as redes sociais liderado por ativistas de Hong Kong que protestam contra um polêmico comentário pró-polícia feito pela estrela de Mulan, Yifei Liu, no verão passado. Esse tipo de boicote já foi proposto antes da pandemia quando o filme estava para estrear.

A discussão começou no auge dos protestos em Hong Kong em 2019, quando ativistas pró-democracia se mobilizaram contra um projeto de lei que permitiria que suspeitos de crimes em Hong Kong fossem extraditados para a China continental. Os confrontos entre os manifestantes e a polícia de Hong Kong tornaram-se violentos, levando a mais protestos contra a brutalidade policial.

Em meio a esses protestos, Liu foi até serviço de mídia social chinês Weibo (uma espécie de Twitter local) para expressar seu apoio à polícia de Hong Kong. “Eu apoio a polícia de Hong Kong, você pode me espancar agora”, escreveu ela.

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