Série de comédia Auto Posto teria previsto o coronavírus? Criador comenta

Episódio de Auto Posto previu o a pandemia do coronavírus (Imagem: Divulgação / Comedy Central)

Alguns trabalhos de ficção tem fama de prever eventos futuros. Um dos casos mais antigos é do romance Futilidade, ou o Naufrágio do Titã, que teria antecipado a tragédia do Titanic, 14 anos antes do navio afundar no Atlântico Norte. Agora, uma série brasileira de comédia é apontada de ter “previsto” a pandemia de covid-19. Auto Posto, produção do Comedy Central, exibiu em seu último episódio (gravado antes das suspensões provocadas pelo vírus) uma história sincronizada aos eventos da pandemia.

Nela, uma infestação de ratos no posto faz com Esdras (Lucas Frizo) baixe uma quarentena e tranque os funcionários na loja para segurança de Nelson, idoso dono do negócio.

Logo depois, assim como na vida real, as pessoas em quarentena se cansam de fazerem o certo e uma-a-uma fogem do posto, para desespero do gerente que lembra “A quarentena ainda não acabou”

Marcelo Botta, criador da série comentou a curiosidade em entrevista ao Notícias da TV: “Lembro que, quando  escrevemos esse episódio, em agosto do ano passado, ficamos pensando se era crível alguém querer trancar todo mundo em uma loja. Parecia uma situação absurda, bem no realismo fantástico que a série propõe. Era nosso episódio que achava mais surreal, e agora virou realidade”.

“Eu lembro que o [Walter] Breda me perguntou no set se tirava a máscara, se colocava ela no queixo na hora de falar. E eu achei natural colocá-la no queixo. Não imaginava que meses depois ia estar vivendo isso, e que quando a gente vê alguém com a máscara no queixo fica puto com essa pessoa (risos)”, acrescentou Botta.

O criador disse que toda a situação o fez refletir como a realidade imitou a arte de forma tão fidedigna. “Fico pensando muito nessa frase, que agora ganhou um novo significado, porque cidades como São Paulo estão reabrindo, de uma maneira que eu acho precipitada. E é bem isso, a quarentena ainda não acabou, sabe?”,

Botta admite que sempre foi sua ideia fazer uma série atual, com a abordagem de temas que estariam em voga, mas que jamais teria imaginado acertar o futuro desta forma. “Foi muito acaso. E a minha ficha só foi cair quando eu já estava de quarentena, na montagem dos capítulos, e vi a imagem do Nelson de máscara. Até aquele momento eu não tinha feito essa associação”, lembrou.

Amante das diversas formas de expressão cultural. Viciado em séries, e sempre por dentro das últimas novidades do cinema. Ama dramas e sempre tenta dar uma oportunidade para as fantasias, distopias e os longas de ação e terror.

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