Sincerão, James Gunn comenta trocas étnicas em escalações de elenco

James Gunn (Foto: Divulgação)
James Gunn (Foto: Divulgação)

Nem sempre é fácil lidar com fãs de quadrinhos e filmes que neles se baseiam. James Gunn – responsável pelos filmes Guardiões da Galáxia, da Marvel, e O Esquadrão Suicida, da DC  resolveu colocar o dedo na ferida ao falar de representatividade em suas redes sociais. O cineasta entrou em uma discussão sobre os filmes que geralmente mudam o gênero ou a etnia de determinados personagens em discrepância com seu material de origem.

Um fã questionou a Gunn sua opinião sobre David Ayer, diretor de Esquadrão Suicida (2016) ter escalado Will Smith, um ator negro para viver o personagem Pistoleiro, que nos quadrinhos é branco, e que já foi retratado como branco na série de TV Arrow. “Novamente, isso é muito simples – as pessoas não estão fazendo filmes sobre super-heróis desconhecidos. Além disso, é inatamente discriminatório pensar que o que torna um personagem um personagem é sua etnia e não sua personalidade”, começou ele.

Para James Gunn, o importante é a personalidade

“O que é, senão racismo, alguém que reclama de David Ayer, por escalar Will Smith como Pistoleiro, e de John Watts por escolher Zendaya como Mary Jane [em Homem-Aranha]? Recebi milhares de vezes mais [mensagens] merda por essas escolhas do que eu por fazer Drax e Mantis alienígenas ao invés de humanos em Guardiões”.

“Na maioria dos casos, essas são ótimas escolhas de elenco – Will Smith é muito parecido com Floyd nos quadrinhos, ele só é negro. E não é feito sem motivo – geralmente é feito para refletir de forma mais eficaz nosso mundo e para escalar o melhor ator para o papel, independentemente da raça. Se David Ayer pensasse que Mark Wahlberg teria feito um Pistoleiro melhor, ele provavelmente o teria escolhido”, continuou Gunn. Com a morte de Chadwick Boseman, que viveu o protagonista de Pantera Negra, há duas semanas, o público passou a perceber que a Marvel é pouco comprometida com a questão também fora das telas, e que demorou 20 filmes para ter um cineasta negro, e 21 filmes para uma mulher ocupar uma cadeira de diretor.