Supervisor de efeitos especiais de Watchmen conta seu maior desafio ao criar máscara espelhada de personagem

Watchmen
Watchmen (Divulgação)

Watchmen, adaptação dos quadrinhos da DC Comics, feita pela HBO abocanhou grandes parte das indicações do Emmy deste ano. A série comandada por Damon Lindelof tem efeitos especiais de dar inveja até mesmo a alguns projetos de cinema, e o supervisor de efeitos especiais Erik Henry contou em entrevista ao site Deadline o que o deixou mais orgulhoso em seu trabalho.

“Um dos maiores [orgulhos] é uma coisa muito pequena, mas no episódio 1, quando chegamos bem perto da máscara do Looking Glass, vemos um pouco de desgaste na máscara, como se tivesse sido usado várias vezes. Algumas das coisas haviam descascado. Por exemplo, se você já teve uma camisa de serigrafia que descasca depois de lavá-la algumas vezes, fica com a ideia de que a trama do tecido se flexiona e pedaços de tinta se soltam. Então, quando você se aproxima e vê as imagens refletidas de uma bandeira nazista ou algo parecido, e a natureza gráfica daquela imagem estranha e distorcida sobre a face dessa superfície reflexiva, para mim, aquele foi um dos momentos onde eu disse: ‘É sutil, mas é tão bom. Isso realmente faz você sentir que aquilo é de verdade’.

Ser de verdade inclusive era algo que ele e o showrunner do programa planejavam para todas as cenas mesmo se tratando de universo fantástico. Segundo ele a própria máscara do personagem Looking Glass, foi um grande desafio, pois não existiam tecidos que fossem tão altamente reflexivos, e que permitissem que o ator respirasse, então o jeito era fazer isso no CGI, porém, este seria um longo e desgastante trabalho.

“O melhor que encontramos é algo chamado tecido lamé, e que realmente funcionou. A certa distância, até parece de verdade. Então, eles construíram uma máscara, e o ator a usou em algumas cenas amplas. Mas sempre que você se aproxima, não fica legal, e passamos a usar tela verde. Eventualmente, mudamos para uma tela cinza com alguns marcadores de rastreamento nela. Mas o verdadeiro problema era o equipamento que eles tinham que adicionar em sua cabeça, para registrar tudo o que estava ao seu redor, 360 ao redor de sua cabeça, para que pudéssemos mapear de volta na superfície reflexiva na pós-produção. Isso foi um desafio porque eu sabia que a produção não iria querer fazer duas etapas para tudo – ele dizendo suas falas e depois tudo ao seu redor como uma segunda etapa. É por isso que criamos essas câmeras, e uma empresa de Toronto chamada Mars é quem fez essa máscara. Eles também foram, ironicamente, a empresa que fez a máscara de Rorschach para o filme de 2009”, disparou.

Ele contou que a tal empresa o ligou e perguntou se eles queriam máscaras do Rorschach, personagem do filme, mas ele explicou que a série não teria tal personagem, mas que outra máscara seria necessária. “Mas, como eu disse, [havia] muitas coisas diferentes e muitos desafios diferentes, e é isso que torna a série tão boa”, concluiu