O ano de 2025 ficará guardado como aquele em que a cultura precisou aprender a lidar com o silêncio. Ao longo dos meses, o público se despediu de artistas, intelectuais e personalidades que ajudaram a contar histórias, embalar emoções e construir identidades.

Foram perdas sentidas não apenas pela relevância dos nomes, mas pela relação afetiva que cada um mantinha com seus admiradores. Mais do que um balanço de ausências, esta retrospectiva é um gesto de lembrança. Porque, em muitos casos, a morte não interrompeu a presença, apenas a transformou.

A música como casa da saudade

Montagem com três artistas brasileiros: Preta Gil em selfie com maquiagem leve e cabelo solto; Arlindo Cruz sentado em repouso, usando colar de contas; Lô Borges em retrato recente, de braços cruzados, diante de parede cinza.
(Reprodução/Instagram/@pretagil/@arlindocruzobem/@loborgesoficial, Edição/Spin OFF)

A música brasileira viveu um ano especialmente duro. Preta Gil, que morreu em julho, aos 50 anos, deixou o país em estado de comoção. Sua trajetória foi marcada pela liberdade, pelo enfrentamento público da doença e por uma relação intensa e afetuosa com os fãs, que transformaram sua despedida em uma corrente de amor.

No samba e na MPB, o vazio também foi profundo. Arlindo Cruz, Nana Caymmi, Jards Macalé, Angela Ro Ro e Lô Borges partiram deixando canções que seguem atravessando gerações. Cada um, à sua maneira, ajudou a moldar o som do Brasil, seja pela elegância, pela dor cantada sem filtros ou pela ousadia criativa que nunca pediu licença.

No Carnaval, a morte de Gilsinho, voz histórica da Portela, silenciou um microfone que costumava conduzir multidões. Já a partida de Edson Café, ex-integrante do Raça Negra, trouxe à tona memórias de uma era em que o pagode dominava rádios e encontros familiares.

Montagem com três músicos internacionais: Ozzy Osbourne durante apresentação ao vivo, em figurino preto e expressão intensa; Jimmy Cliff sentado no palco, tocando tambor e cantando ao microfone; Ace Frehley em retrato promocional, vestindo jaqueta de couro e segurando guitarra elétrica.
(Reprodução/Instagram/@ozzyosbourne/@jimmycliff/@acefrehleyofficial, Edição/Spin OFF)

Fora do país, o impacto também foi grande. Ozzy Osbourne mobilizou fãs do rock no mundo inteiro, enquanto Jimmy Cliff foi lembrado como um dos responsáveis por levar o reggae para além da Jamaica. Ace Frehley, Connie Francis e Ronald Fenty completam um ano em que diferentes estilos musicais perderam vozes fundamentais.

Cinema e televisão: personagens que ficaram

Montagem com três artistas do cinema e da TV: Francisco Cuoco em registro recente, sentado em poltrona e sorrindo; Berta Loran em retrato clássico em preto e branco de início de carreira; Diane Keaton em foto atual, usando chapéu preto e segurando uma boneca decorativa.
(Reprodução/Instagram/@franciscocuocoreal/@diane_keaton/IMDb, Edição/Spin OFF)

Algumas despedidas têm o peso de décadas de convivência. Francisco Cuoco foi um desses casos. Ícone da teledramaturgia brasileira, o ator parecia fazer parte da rotina do país, como se estivesse sempre ali, na memória coletiva das novelas.

No humor e na comédia, Berta Loran deixou a lembrança de uma atriz de presença luminosa, dona de um timing raro e de uma carreira que atravessou gerações da TV brasileira.

Montagem com três atores do cinema e da TV: Udo Kier caracterizado em cena de filme, usando uniforme militar; Michael Madsen em registro casual, encostado em um carro clássico, vestindo camisa xadrez; Michelle Trachtenberg em selfie recente, com maquiagem leve, cabelo solto e olhar direto para a câmera.
(Reprodução/IMDb/Instagram/@michaelmadsenofficial/@michelletrachtenberg, Edição/Spin OFF)

Em Hollywood e no cinema internacional, o luto veio carregado de nostalgia. Diane Keaton, Val Kilmer, Richard Chamberlain, Joan Plowright, Robert Redford, Udo Kier, Michael Madsen e Michelle Trachtenberg partiram deixando personagens que continuam vivos na tela, revisitados sempre que alguém aperta o play.

Algumas perdas doeram também pelo que não chegou a acontecer. Millena Brandão, Karen Silva, Isabelle Tate e Floyd Roger Myers Jr. morreram jovens demais, interrompendo trajetórias que ainda estavam em formação e deixando no público a sensação de futuros que ficaram em aberto.

Literatura, jornalismo e pensamento

Montagem com duas personalidades da literatura que morreram em 2025: Luis Fernando Verissimo em registro formal, sentado e usando medalha de condecoração no peito; Sophie Kinsella em foto ao ar livre, vestindo vestido estampado e chapéu claro, sorrindo durante evento social.
(Reprodução/Acervo Luis Fernando Verissimo/Instagram/@sophiekinsellawriter, Edição/Spin OFF)

A escrita também perdeu vozes essenciais. Luis Fernando Verissimo se despediu deixando um legado raro: o de quem conseguia traduzir o cotidiano com humor, ironia e precisão, criando personagens que pareciam conversar diretamente com o leitor.

No cenário internacional, a morte de Sophie Kinsella comoveu leitores ao redor do mundo. Autora que transformou leveza em fenômeno editorial, ela também foi lembrada pela coragem ao falar publicamente sobre a própria doença, aproximando ainda mais sua obra do público.

Moda, fé e símbolos globais

Montagem com duas personalidades internacionais: Giorgio Armani em retrato em preto e branco, com expressão séria e mãos apoiadas; Papa Francisco em aparição pública no Vaticano, acenando para fiéis a partir de uma sacada.
(Reprodução/Instagram/@giorgioarmani, @franciscus, Edição/Spin OFF)

Há perdas que extrapolam o entretenimento. Giorgio Armani morreu como um dos maiores nomes da história da moda, responsável por redefinir a elegância contemporânea e influenciar gerações de estilistas e artistas.

Já a morte do Papa Francisco, no Vaticano, provocou uma comoção mundial. Líder religioso de enorme impacto simbólico, ele foi lembrado por sua defesa dos mais pobres, pela tentativa de aproximar a Igreja do mundo real e por um pontificado marcado pela busca de diálogo.

Um caso que chocou o fim do ano

Rob Reiner e Michele Singer posam juntos em evento público, sorrindo para a câmera, diante de painel com pôsteres de filmes ao fundo.
(Reprodução/Shutterstock/Debby Wong)

Entre as despedidas mais traumáticas, o caso de Rob Reiner e Michele Singer se destacou pelo choque. O casal foi encontrado morto em casa, nos Estados Unidos, e a investigação passou a tratar o episódio como homicídio, trazendo um clima de perplexidade e tristeza para o encerramento de 2025.

Autor

  • Eduarda Zarnott

    Licenciada e mestranda pela Universidade Federal de Pelotas, trabalha com produção de conteúdo desde 2023 cobrindo entretenimento, celebridades e os bastidores que movimentam o universo pop.


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