
A prisão de MC Poze do Rodo, nesta quinta-feira (30), gerou comoção e indignação entre amigos e fãs do funkeiro. Um dos que se manifestaram foi o cantor Oruam, de 23 anos, que usou suas redes sociais para criticar a forma como o artista foi conduzido pela polícia e sair em sua defesa.
Poze foi detido em casa, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio, por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). De lá, foi levado algemado para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho, Zona Norte da cidade. Sem dar declarações à imprensa, o cantor chegou ao local por volta das 7h da manhã.
Visivelmente incomodado com a cena, Oruam gravou um vídeo se posicionando sobre o caso. “O estado gosta de envergonhar a gente. Algemaram o Poze sem necessidade. Ele é um exemplo para muita gente. Todo mundo sabe que isso é mentira. Ele é cantor, canta em baile de favela, mas não tem envolvimento com facção. Isso é a maior covardia”, desabafou.
Segundo a Polícia Civil, Poze cujo nome verdadeiro é Marlon Brandon Coelho Couto Silva está sendo investigado por suspeita de apologia ao crime e suposta ligação com o tráfico de drogas. Um dos pontos levantados pela investigação é a participação do cantor em um baile funk na Cidade de Deus, ocorrido dois dias antes da morte de um policial da Core durante operação na região.
A defesa do funkeiro, liderada pelo advogado Fernando Henrique Cardoso, informou que a prisão é temporária e que Poze deve ser transferido ainda hoje para o presídio de Benfica. Durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua residência, a polícia recolheu joias que, segundo os investigadores, teriam símbolos associados ao Comando Vermelho além de celulares, documentos e eletrônicos. Nenhuma arma foi encontrada no local.
As autoridades alegam que Poze se apresenta majoritariamente em áreas controladas pela facção criminosa Comando Vermelho, com shows supostamente protegidos por traficantes armados. Além disso, afirmam que as letras de suas músicas ultrapassam o direito à liberdade de expressão ao exaltarem o tráfico, o uso de armas e o confronto entre grupos criminosos rivais.
Em nota, a Polícia Civil declarou que essas condutas podem configurar crimes como apologia ao tráfico de drogas e associação criminosa, já que os eventos promovidos pelo cantor, segundo a investigação, fortaleceriam financeiramente a facção ao impulsionar a venda de drogas nas comunidades.
A operação segue em andamento para identificar outros possíveis envolvidos. Vivi Noronha, esposa de Poze, chegou à Cidade da Polícia pouco tempo depois da chegada do cantor, acompanhada de seguranças, mas não quis se pronunciar. De acordo com os agentes, ela não é alvo da operação.
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