
O humorista e ex-BBB Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, e o empresário Anderson Bonetti foram condenados na última terça-feira (10) a mais de 11 anos de prisão por estelionato.
De acordo com a Justiça do Rio Grande do Sul, os dois estão envolvidos em um esquema fraudulento relacionado à loja virtual “Tadizuera”, que vendia produtos com valores abaixo do mercado, mas não entregava os itens aos compradores.
A sentença abrange 16 vítimas da cidade de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, mas a Polícia Civil aponta que o número real de prejudicados pode ultrapassar 370 pessoas. Segundo as investigações, Nego Di chegou a movimentar mais de R$ 300 mil em um curto período, o que reforça a hipótese de que o golpe foi premeditado.
Conforme o apurado, os produtos mais anunciados pela dupla incluíam televisores, aparelhos de ar-condicionado e celulares. O humorista chegou a divulgar os itens em vídeos nas redes sociais, ora afirmando ser apenas o divulgador, ora se apresentando como proprietário da loja e garantindo a entrega. Em um dos relatos à imprensa, uma das vítimas contou ter perdido cerca de R$ 30 mil após adquirir dois celulares e aparelhos de ar-condicionado. Ela também revelou que, em 2022, Nego Di chegou a entregar alguns produtos para ganhar credibilidade antes de lançar oficialmente a loja.
Vídeos tornados públicos durante o processo mostram o ex-BBB debochando das vítimas. Em uma das gravações, Nego Di aparece dentro de um carro de luxo, supostamente uma BMW, fazendo piada com frases como “ninguém mandou comprar televisão” e “olha a TV aí”, referindo-se ao veículo. Em outro momento, durante a gravação de um podcast, ele ri com amigos ao relembrar uma promoção fictícia de ar-condicionado e, em tom irônico, culpa a falha nas entregas ao “usuário não encontrado”.
Nego Di ficou preso?
Preso por quatro meses em 2023, Nego Di está em liberdade provisória desde novembro do mesmo ano, após deixar a Penitenciária de Canoas. Pouco depois de sair da prisão, ele demitiu a advogada Tatiana Borsa, que chegou a comemorar a soltura nas redes sociais ao postar uma foto brindando com o cliente, imagem que foi rapidamente apagada, mas motivou uma advertência da Justiça, que ressaltou a responsabilidade do réu em cumprir as condições da liberdade.
Desde dezembro, com autorização da Justiça, Nego Di vive em uma área nobre de Palhoça, na Grande Florianópolis.
A defesa do humorista, representada pela advogada Camila Kersch, afirmou que vai recorrer da decisão. Em nota, ela declarou que acredita no reconhecimento de “vícios processuais” e destacou o “comportamento colaborativo” de Nego Di durante todo o processo.
O que Nego Di disse após a condenação?
Em entrevista a Roberto Cabrini e ao Domingo Espetacular que foi ao ar nesse dia (15), Nego Di afirmou que foi enganado pelo seu sócio, Anderson Bonetti e o classificou como “estelionatário profissional”.
Ele garantiu não ter tido a intenção de enganar seus seguidores. “Não faria sentido eu acordar um dia e decidir ‘vou dar um golpe nos meus seguidores’, isso não existe.” Nego Di explicou que apenas confiou em Bonetti, que administrava o projeto e, segundo ele, nunca lhe apresentou contratos. “Quando descobri que era um golpe, expus o rosto dele nas redes, revelei onde ele morava, mas depois disso ele cortou contato comigo.”
O humorista falou sobre a experiência traumática de sua prisão e o impacto que o episódio teve em sua vida. “Eu fui para o pior lugar que o ser humano pode ir, que é a prisão. Pior que isso, acho que só o cemitério”, desabafou. Segundo ele, o período atrás das grades foi marcado por sofrimento físico e emocional. “Eu estava sendo transportado numa viatura, algemado, vendo o mundo pelo vidro de um camburão. Pra mim, aquilo foi uma vergonha.” Durante o tempo em que esteve preso, perdeu 33 quilos e enfrentou um quadro de depressão. “Cheguei a ficar 72 horas seguidas sem comer nada. Precisava de remédio para dormir e para acordar.”
De onde vem a fama de Nego Di?
A fama de Nego Di começou nas redes sociais, especialmente no Instagram e YouTube, onde ele ganhou destaque por seus vídeos de humor ácido, sátiras e comentários provocativos sobre temas do cotidiano. Natural de Porto Alegre (RS), ele também se apresentava como comediante stand-up e fazia parte do cenário do humor local.
Contudo, o auge da notoriedade nacional veio em 2021, quando foi um dos participantes do Big Brother Brasil 21, da TV Globo. Integrante do grupo Camarote. Nego Di dividiu a casa com nomes como Karol Conká, Projota e Fiuk. Apesar da grande expectativa, sua trajetória no reality foi marcada por polêmicas, alianças controversas e rejeição do público. Ele foi eliminado com 98,76% dos votos, tornando-se até então o segundo participante mais rejeitado da história do programa.
Após o BBB, Nego Di seguiu produzindo conteúdo para as redes sociais e chegou a participar de podcasts e shows de comédia, mantendo sua imagem ligada ao humor, ainda que frequentemente envolta em controvérsias.
Nego Di x Rio Grande do Sul
O humorista foi acusado de tentar se autopromover em cima da tragédia e de atacar artistas e influenciadores que estavam contribuindo com a causa.
Durante o auge da crise humanitária no estado, Nego Di usou suas redes sociais para criticar celebridades que, segundo ele, estariam “fazendo pouco caso” ou sendo “oportunistas” nas campanhas de arrecadação. Entre os alvos das críticas estavam nomes como Xuxa, Whindersson Nunes e Virginia Fonseca. Em lives e postagens, ele questionava os valores doados e a visibilidade dessas ações, insinuando que muitos estavam mais preocupados com a imagem do que com a ajuda real.
No entanto, a postura de Nego Di também foi muito questionada. Internautas e formadores de opinião apontaram que ele estava criando polêmica em vez de colaborar efetivamente, e o acusaram de usar o sofrimento alheio para gerar engajamento e visibilidade pessoal. Em meio às críticas, o humorista chegou a organizar ações pontuais de ajuda, mas sem grande transparência ou articulação coletiva, o que alimentou ainda mais a desconfiança do público.
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