O longa pernambucano O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, foi oficialmente escolhido para representar o Brasil na disputa pelo Oscar 2026. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (15/9), e a cerimônia acontecerá em março do próximo ano.
Porém, em uma entrevista recente a BBC Brasil, Wagner Moura comentou sobre a diferença de recepção de O Agente Secreto nos Estados Unidos e fez críticas a postura do país.
Moura observou que, enquanto o longa foi recebido com euforia no Recife, onde estreou em clima de final de Copa do Mundo, nos festivais americanos o clima era de tristeza e até “quase inveja”. Ele afirmou:
“A gente está hoje vendo as instituições funcionando [no Brasil], vendo um crime contra a democracia sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal, enquanto que nos festivais norte-americanos pelos quais o filme passou, a gente sentia uma certa tristeza dos americanos, quase uma inveja.”
O ator também comentou sobre sua experiência vivendo em Los Angeles há sete anos com a esposa e três filhos, criticando a postura do governo dos EUA em relação à imigrantes sem documentação:
“É um horror, eu conheço muitos imigrantes ilegais. Eu moro em Los Angeles, é uma cidade onde vivem muitos latinos, muitos mexicanos, sobretudo, e as pessoas estão com medo. Porque eles atacam a pessoa na rua por uma identificação visual e racial. Se o cara não tiver o documento, o cara não volta para casa nunca mais.”
Moura avaliou o cenário político norte-americano, afirmando:
“O que está acontecendo nos Estados Unidos hoje é grave. É um país que deixou de ser mesmo uma democracia e começou a ser um país com tendências autoritárias evidentes.”
Recentemente, a Suprema Corte norte-americana decidiu que órgãos migratórios podem adotar critérios raciais em suas abordagens.
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