⚠️ Aviso de conteúdo sensível: este texto aborda temas como assédio sexual. Se você está em situação de violência, ligue 180.
Preso desde agosto de 2025, Hytalo Santos foi condenado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região (TRT-13) em duas ações movidas por ex-seguranças que trabalharam para o influenciador. As decisões reconheceram assédio moral, condições degradantes de trabalho e, em um dos processos, assédio sexual, além de determinar o pagamento de R$ 60 mil em indenizações por danos morais.
A prova mais eloquente do caráter indesejado e intimidatório da conduta do Reclamado (Hytalo) é, talvez, o relato da testemunha de que o Reclamante pedia sua companhia para ‘não deixar ele só com o seu Hítalo (Hytalo)’.
consta em parte do depoimento que levou à decisão judicial.
Cada um dos profissionais deverá receber R$ 30 mil. As decisões também reconheceram vínculo empregatício, determinaram o pagamento de verbas trabalhistas e responsabilizaram solidariamente Israel Vicente, marido de Hytalo, e empresas relacionadas ao influenciador. As sentenças, contudo, ainda são de primeira instância e podem ser contestadas por meio de recursos.
Relatos dos ex-seguranças incluem acusações de assédio
Um dos processos foi movido por um segurança que trabalhou para Hytalo entre fevereiro de 2023 e março de 2025. No outro caso, o autor era um segurança armado que integrou a equipe entre agosto de 2024 e março de 2025. Cada ação resultou em uma indenização de R$ 30 mil por danos morais.
Entre os relatos analisados pelo tribunal estão situações de constrangimento e comportamentos atribuídos ao influenciador. Em um dos processos, uma testemunha afirmou ter presenciado toques físicos indesejados, como passar a mão na nuca ou na perna do profissional enquanto ele dirigia.
Os depoimentos também mencionaram que o influenciador permanecia de roupa íntima diante dos funcionários e que, após consumir bebidas alcoólicas, teria apresentado comportamento agressivo, com gritos, xingamentos e tentativas de abraços consideradas invasivas.
Decisão aponta condições consideradas degradantes
Além das acusações de assédio, os processos trabalhistas analisaram as condições às quais os profissionais estariam submetidos durante o trabalho. Segundo os relatos apresentados à Justiça, os seguranças não podiam utilizar os banheiros internos da residência e precisavam recorrer a um sanitário externo.
“[…] sendo obrigado a usar um sanitário externo em condições deploráveis de higiene, com presença de fezes, urina de animais e lixo”, ressalta parte da decisão judicial.
A decisão também registra alegações de monitoramento por câmeras em locais de troca de roupa e de acesso ao celular pessoal de um dos funcionários para suposta exclusão de provas.
O tribunal ainda reconheceu que os dois profissionais mantinham vínculo de emprego direto e subordinado com Hytalo. A escala de 24 horas de trabalho por 72 de descanso também foi considerada inválida pela ausência de acordo individual escrito ou norma coletiva que autorizasse o regime.
Defesa de Hytalo contesta decisões e afirma que haverá recursos
A defesa de Hytalo Santos e das empresas envolvidas negou as acusações apresentadas pelos ex-funcionários. Ao Metrópoles, o advogado Julio Camargos afirmou que as decisões são de primeira instância e ainda podem ser modificadas nas instâncias superiores.
Os advogados também alegaram que existem outros processos com decisões contrárias às versões apresentadas pelos ex-seguranças e defenderam que cada caso seja analisado individualmente, conforme as provas produzidas.
Além das indenizações, as decisões determinaram o pagamento de horas extras, domingos trabalhados, adicional noturno, FGTS com multa de 40%, aviso-prévio, férias proporcionais e 13º salário, entre outras verbas. Em um dos casos, também foi reconhecido adicional de periculosidade de 30% sobre salário-base de R$ 15 mil.
Hytalo Santos e Israel Vicente seguem presos na Paraíba
Hytalo Santos e Israel Vicente foram presos em São Paulo em 15 de agosto de 2025. Depois, os dois foram transferidos para o Presídio do Róger, em João Pessoa, na Paraíba, onde permanecem em prisão preventiva desde 28 de agosto do mesmo ano.
Na época, o influenciador se pronunciou sobre acusações de exploração de menores que levaram a sua prisão. Além das ações trabalhistas envolvendo os ex-seguranças, Hytalo e Israel respondem a um processo na Justiça comum relacionado a acusações de tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão.
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