Trechos inéditos de entrevista de Suzane von Richthofen passaram a circular nesta segunda-feira (06/04) e ganharam repercussão nas redes sociais. O motivo é um momento específico do depoimento em que a condenada ri ao relembrar um período anterior ao crime que marcou o país em 2002.
Aquele mês mudou tudo na nossa vida.
Suzane von Richthofen
O material foi exibido previamente para convidados e, segundo relatos divulgados pelo jornalista Ulisses Campbell, do jornal O Globo, um dos pontos que mais chamou atenção foi justamente a forma como Suzane conduz parte do relato.
Ao longo da entrevista, ela alterna entre descrições de conflitos familiares e lembranças que, segundo suas próprias palavras, marcaram uma mudança em sua trajetória.
Confira trechos do material:
Relato sobre infância expõe ambiente familiar
Ao falar sobre a infância, Suzane descreve uma rotina baseada em cobranças e pouca demonstração de afeto. “Eu vivia estudando. Era só nota alta. Tirava 9 e 10 em todas as matérias”, afirma. Ela também comenta a dinâmica dentro de casa:
“Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles”.
Em outro momento, resume a relação com o pai: “Meu pai era zero afeto”. Sobre a mãe, faz uma distinção: “Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo, mas era muito de vez em quando”.
A entrevista inclui ainda o relato de um episódio de tensão entre os pais. “Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível”, diz.
Período com Daniel Cravinhos marca mudança de tom
A reação que mais repercutiu aparece quando Suzane relembra o período em que passou a conviver com Daniel Cravinhos na casa da família, durante uma viagem dos pais.
Ao descrever essa fase, ela adota um tom diferente e chega a rir em meio ao relato.
“Foi um mês de liberdade total. Um sonho que eu não queria que acabasse”, afirma.
Em seguida, detalha a rotina: “Era o dia inteiro de sexo, drogas e rock ’n’ roll”. Logo depois, retoma a ideia de transformação: “Aquele mês mudou tudo na nossa vida”.
Segundo pessoas que assistiram ao material, é justamente nesse trecho que a reação da condenada chama mais atenção.
Declarações sobre o crime reforçam responsabilidade
Apesar do tom adotado em parte do depoimento, Suzane também faz declarações diretas sobre sua participação no crime.
“Eu aceitei. Eu os levei pra dentro da minha casa”, afirma. Em outro momento, completa: “A culpa é minha. Claro que é minha”.
A entrevista integra um documentário ainda sem data de estreia, que deve apresentar a versão da própria Suzane sobre os acontecimentos e os conflitos familiares que antecederam o caso.
Nova fase fora da prisão inclui negócio próprio e rotina discreta
Após deixar o regime fechado, Suzane passou a reconstruir a rotina em liberdade. Desde 2023, ela cumpre pena em regime aberto e tem buscado se afastar da exposição pública.
Nesse período, chegou a abrir um ateliê online para vender peças artesanais, como bolsas feitas à mão, divulgadas em suas redes sociais. A iniciativa marcou uma tentativa de estabelecer uma nova fonte de renda após a saída da prisão.
A fase atual também inclui mudanças pessoais. Hoje, Suzane vive no interior de São Paulo ao lado do marido e mantém uma rotina mais reservada.
O caso, no entanto, segue gerando repercussões indiretas. Em 2025, Cristian Cravinhos, condenado pelo crime ao lado do irmão Daniel, se envolveu em um acidente a poucos metros da antiga casa da família, em São Paulo.
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