A presença de seis sintomas específicos durante a meia-idade pode indicar um risco aumentado de desenvolver demência décadas depois. A constatação é de um estudo liderado por pesquisadores da University College London (UCL), publicado na revista científica The Lancet Psychiatry.

A depressão já vinha sendo apontada como fator de risco para o declínio cognitivo na velhice. No entanto, a nova pesquisa mostra que essa associação não ocorre de forma generalizada. Segundo os cientistas, o risco está concentrado em um conjunto específico de sintomas, que podem funcionar como sinais de alerta precoce para a saúde do cérebro.

Quais são os 6 sintomas associados ao risco de demência?

De acordo com os pesquisadores, os seis sintomas que mais se relacionam ao risco futuro de demência são:

  • perda de confiança em si mesmo
  • dificuldade para lidar com problemas
  • falta de afeto ou carinho pelos outros
  • sensação constante de nervosismo ou tensão
  • insatisfação com a forma como tarefas são realizadas
  • dificuldade de concentração

Os autores do estudo afirmam que identificar e tratar esses sintomas de forma direcionada durante a meia-idade pode ajudar a reduzir o risco de declínio cognitivo no futuro, embora ressaltem que mais pesquisas ainda são necessárias.

O que dizem os pesquisadores e especialistas

Autor principal do estudo e professor da UCL, Philipp Frank explica que esses sintomas são relativamente comuns e muitas vezes negligenciados. Segundo ele, esses padrões comportamentais “contêm informações importantes sobre a saúde cerebral a longo prazo” e podem abrir novas possibilidades para estratégias de prevenção precoce.

O neurologista Carlos Uribe, do Hospital Brasília, da Rede Américas, destaca que a relação entre depressão e demência é complexa. Em alguns casos, a depressão pode ser uma manifestação inicial de um processo neurodegenerativo ainda não diagnosticado, o que reforça a importância de estudos longitudinais para esclarecer essa associação.

Como o estudo foi realizado

A pesquisa analisou dados de 5.811 adultos de meia-idade que participaram do estudo britânico Whitehall II. Os sintomas depressivos foram avaliados entre 1997 e 1999 por meio de um questionário que investigava 30 manifestações comuns de depressão.

Os participantes foram acompanhados por cerca de 25 anos. Ao longo desse período, 10,1% desenvolveram algum tipo de demência. Os resultados mostraram que indivíduos classificados como deprimidos — aqueles que relataram cinco ou mais sintomas — apresentaram um risco 27% maior de desenvolver a doença.

Por que esses sintomas aumentam o risco?

As análises indicaram que o aumento do risco foi impulsionado exclusivamente pelos seis sintomas identificados. Em especial, a perda de autoconfiança e a dificuldade em lidar com problemas estiveram associadas a um aumento de aproximadamente 50% nas chances de declínio cognitivo.

Segundo os pesquisadores, esses sintomas podem levar à redução do envolvimento social e a menos experiências cognitivamente estimulantes ao longo da vida. Esses fatores afetam a chamada reserva cognitiva, que é a capacidade do cérebro de compensar danos e manter o funcionamento normal mesmo diante de alterações físicas ou doenças.

Autor

  • Vivian Riguetti

    Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, com pós-graduação em Jornalismo Digital. Possui experiência na produção de notícias, conteúdos de blogs e revisão textual. Atua como redatora há mais de cinco anos, escrevendo sobre entretenimento, famosos e moda.. Contato: [email protected]


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