O café faz parte da rotina de milhões de brasileiros e está entre as bebidas mais consumidas no mundo. Além do valor cultural e econômico, a bebida também desperta curiosidade sobre seus efeitos no organismo, especialmente no cérebro, no metabolismo e na qualidade do sono.
Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association acompanhou mais de 130 mil pessoas ao longo de 40 anos e concluiu que consumir entre duas e três xícaras de café por dia pode reduzir em até 20% o risco de desenvolver demência.
O café na rotina e na economia brasileira
Das regiões montanhosas de Minas Gerais às mesas de todo o país, o café se consolidou como um dos símbolos da cultura brasileira. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o Brasil consumiu cerca de 21,4 milhões de sacas de café industrializado em 2025, enquanto o consumo mundial ultrapassou 174 milhões de sacas de 60 kg.
A produção também continua em expansão. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra brasileira pode atingir 66,2 milhões de sacas em 2026, o que pode representar um novo recorde histórico.
Apesar da popularidade da bebida, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre os impactos do café na saúde e sobre a forma mais adequada de consumi-lo no dia a dia.
Qual é o melhor horário para tomar café
O consumo de café tende a ser mais eficiente algum tempo após acordar. Isso ocorre porque o organismo apresenta um pico natural de cortisol, hormônio responsável por manter o corpo alerta.
Quando o café é ingerido imediatamente ao despertar, a cafeína pode interferir nesse processo natural. Por esse motivo, muitas recomendações sugerem consumir a bebida entre 60 e 90 minutos após acordar, quando os níveis hormonais começam a diminuir e o efeito estimulante da cafeína se torna mais perceptível.
Como o café pode afetar o sono
Se pela manhã o café costuma favorecer o estado de alerta e o desempenho cognitivo, o consumo no período da tarde ou da noite pode interferir no ciclo circadiano, conhecido como o relógio biológico do corpo.
Ingerir café muito tarde pode atrasar o início do sono profundo e comprometer a qualidade do descanso. Em geral, recomenda-se evitar a bebida até seis horas antes do horário de dormir, já que a cafeína possui uma meia-vida média entre quatro e seis horas no organismo.
Na prática, pessoas que costumam dormir por volta das 22h podem evitar café após 16h ou 17h para reduzir possíveis impactos no sono.
Tomar café em jejum faz mal?
Para a maioria das pessoas, beber café em jejum não causa problemas significativos. No entanto, indivíduos mais sensíveis à cafeína podem apresentar desconfortos gastrointestinais.
Entre os efeitos mais relatados estão azia, irritação gástrica e aumento da acidez estomacal. Em alguns casos, também pode ocorrer aumento temporário da pressão arterial e da frequência cardíaca.
Por esse motivo, quem sente desconforto pode optar por consumir o café após uma refeição leve ou algum tempo depois de acordar.
Qual é a quantidade segura de café por dia
Para adultos saudáveis, o consumo considerado moderado gira em torno de três a quatro xícaras de 150 ml por dia, o equivalente a aproximadamente 400 mg de cafeína.
Esse limite é considerado seguro por instituições internacionais como a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos.
Alguns grupos, no entanto, podem precisar reduzir o consumo. Pessoas com sensibilidade à cafeína, pressão alta, ansiedade ou distúrbios do sono podem perceber efeitos mais intensos da substância.
Compostos do café e benefícios para a saúde
Além do efeito estimulante da cafeína, o café contém diversos compostos bioativos, como polifenóis e ácidos clorogênicos.
Essas substâncias possuem ação antioxidante e ajudam a combater radicais livres, moléculas associadas ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de doenças crônicas.
Estudos também apontam que o consumo moderado da bebida pode estar relacionado a melhor estado de alerta, além de menor risco de algumas doenças metabólicas e neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
Outro efeito observado é o potencial termogênico do café, que pode aumentar discretamente o gasto energético e estimular a oxidação de gorduras.
Esse mecanismo pode contribuir para estratégias de controle de peso, principalmente quando o consumo da bebida está associado a hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e atividade física regular.
Da lavoura à xícara: como o café é produzido
O café brasileiro é produzido principalmente a partir dos grãos arábica e conilon, cultivados em diferentes regiões do país.
Após a colheita dos frutos maduros, os grãos passam por um processo chamado beneficiamento, que inclui a retirada da casca e a secagem. Em seguida ocorre a torra, etapa responsável por desenvolver o aroma e o sabor característicos da bebida.
Depois disso, os grãos são moídos em diferentes granulometrias até chegar ao produto final — o café torrado e moído ou em cápsulas. Cada etapa do processo, desde o cultivo até o preparo, influencia diretamente a qualidade e o perfil sensorial da bebida consumida diariamente por milhões de pessoas.
Descubra mais sobre Entretê Spin OFF
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




