Um suplemento conhecido há décadas no meio esportivo passou a despertar interesse também fora das academias. A creatina vem sendo cada vez mais estudada por seus efeitos na preservação da massa muscular e no funcionamento do cérebro, especialmente em fases da vida em que a perda de força, energia e desempenho cognitivo se torna mais evidente.

Com o avanço da idade, o corpo tende a perder massa e potência muscular de forma progressiva, condição chamada de sarcopenia. Ao mesmo tempo, quedas de atenção, memória e velocidade de raciocínio tornam-se mais comuns, o que coloca a creatina como uma alternativa simples e acessível para apoiar a saúde física e mental.

Por que a creatina funciona como uma reserva rápida de energia

O organismo depende do ATP, a principal molécula de energia das células, para sustentar esforços físicos e mentais. Sempre que ocorre atividade muscular ou concentração intensa, o ATP é consumido rapidamente, reduzindo temporariamente a capacidade de desempenho.

A creatina armazenada nos músculos e no cérebro atua como um sistema de recarga imediata, ajudando a regenerar o ATP de forma eficiente. De acordo com a International Society of Sports Nutrition (ISSN), níveis adequados de creatina permitem sustentar o desempenho por mais tempo, retardando a fadiga muscular e mental.

Por que a creatina também é considerada um suporte para o cérebro

O cérebro consome cerca de 20% de toda a energia do corpo, mesmo em repouso. Em períodos de estresse, noites mal dormidas ou alta demanda intelectual, essa necessidade energética aumenta, favorecendo a sensação de cansaço mental.

Uma revisão publicada na Royal Society Open Science mostrou que a suplementação de creatina pode melhorar a memória de curto prazo e a inteligência fluida, relacionada ao raciocínio rápido. Os efeitos foram mais evidentes em idosos e vegetarianos, grupos que costumam apresentar menores estoques naturais da substância.

Como a creatina ajuda a preservar a massa muscular com o envelhecimento

A sarcopenia é caracterizada pela perda involuntária de massa e força muscular ao longo dos anos, aumentando o risco de quedas e comprometendo a autonomia funcional. A creatina atua nesse processo ao aumentar a hidratação intracelular das fibras musculares, um sinal metabólico associado à síntese proteica.

Estudos publicados na Medicine & Science in Sports & Exercise indicam que idosos que utilizam creatina, mesmo associada a exercícios de baixa intensidade, apresentam melhor preservação da massa magra e da força em comparação a grupos placebo, contribuindo para maior independência física.

A creatina faz mal para os rins?

A associação entre creatina e problemas renais surgiu a partir de interpretações equivocadas de exames laboratoriais. A creatinina, marcador utilizado para avaliar a função renal, tende a se elevar com a suplementação, o que reflete maior metabolismo da creatina, e não lesão nos rins.

Segundo a Mayo Clinic e a National Kidney Foundation, a creatina é considerada segura para pessoas com função renal normal quando utilizada dentro das doses recomendadas. Pessoas com doença renal pré-existente devem usar o suplemento apenas com acompanhamento médico.

Qual é a forma correta de usar a creatina

Não é necessário realizar ciclos ou fases de saturação para obter benefícios. O uso contínuo costuma ser suficiente para promover resultados graduais e consistentes.

A recomendação mais comum é consumir entre 3 e 5 gramas por dia, inclusive em dias sem treino. O horário é flexível, mas a ingestão junto a uma refeição com carboidratos pode favorecer a absorção. Manter uma boa hidratação também é importante, já que a creatina aumenta a retenção de água dentro das células musculares.


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Vivian Riguetti

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, com pós-graduação em Jornalismo Digital. Possui experiência na produção de notícias, conteúdos de blogs e revisão textual. Atua como redatora há mais de cinco anos, escrevendo sobre entretenimento, famosos e moda.. Contato: [email protected]

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