A morte de Edson Bernardo de Lima, conhecido como Edson Café, ex-integrante do grupo Raça Negra, está sendo tratada como “morte suspeita” pela Polícia Civil de São Paulo. O músico, de 75 anos, foi encontrado desacordado em via pública no dia 31 de maio e chegou a ser socorrido ao Hospital Municipal do Tatuapé, onde morreu pouco depois. O caso foi registrado no 52º Distrito Policial, no Parque São Jorge, e as circunstâncias do óbito seguem sob investigação.

Café vivia há anos uma rotina marcada por vulnerabilidade social. Após um acidente vascular cerebral (AVC) em 1994, que comprometeu os movimentos dos braços, o músico se afastou dos palcos e passou a enfrentar uma dura batalha contra a dependência química. Por mais de uma década, viveu em situação de rua, alternando passagens por clínicas de reabilitação e tentativas de reconstruir a vida com os filhos no Rio de Janeiro.

Em 2020, em uma entrevista, relatou as dificuldades de se manter longe das drogas: “Se eu ficar aqui, fico querendo escrever ou então me drogar. Vou ficar enfiado na Cracolândia aí do lado. Eu prefiro sair, dar um rolezinho. E ganhar um dinheirinho. Tomo conta de carro na praça”. Apesar das recaídas, ele tentava formas de sobrevivência, como trabalhar como guardador de carros, e buscava se afastar do vício: “Não tem como morar na rua e não fumar um baseado, não dá”, disse na época.

Nos anos 1990, Edson Café foi um dos fundadores do Raça Negra e participou do auge do grupo, tocando violão e percussão em sucessos como “Cigana” e “Cheia de Manias”. Sua contribuição foi marcante durante os 14 anos em que integrou a banda, antes de sua trajetória ser interrompida por problemas de saúde.

Edson Café tinha mágoa de Raça Negra

Em entrevistas recentes, o artista revelou mágoas com os antigos colegas de grupo.

“Falaram que não iam me dar dinheiro porque sabiam que, depois do meu envolvimento com a drogadição, eu iria gastar meu dinheiro todinho com droga. Não importa, o dinheiro é meu, eu faço o que eu quero. Se eu tenho direito de receber, eu quero receber”, desabafou na ocasião.

Procurada pelo portal LeoDias, a assessoria do Raça Negra afirmou não ter informações sobre o caso e ressaltou que Edson Café não fazia parte do grupo há mais de 20 anos.

Autor

  • Gabriel Girão

    Jornalista carioca formado pela Estácio. Possui experiência com redação jornalística, assessoria de imprensa, cobertura de eventos, revisão de texto e social media. É redator do Spun Orgânico desde junho de 2024 e escreve sobre entretenimento, famosos e moda.

    Contato: [email protected]


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