A deputada federal Carla Zambelli foi presa na Itália nesta terça-feira (29), mas antes disso, gravou um vídeo dizendo que não tinha sido “capturada em uma megaoperação”, como foi divulgado. Com um tom tranquilo, ela afirmou que pretendia se apresentar por conta própria às autoridades italianas e pedir asilo político no país.
A prisão aconteceu pouco depois da divulgação desse vídeo. Segundo o advogado da deputada, Fábio Pagnozzi, ela está cumprindo medidas administrativas iniciais na Itália, em uma área isolada e com poucos recursos. De acordo com ele, Zambelli não tem acesso regular a remédios nem a contato com o mundo exterior. Apesar disso, o advogado diz que o governo italiano ainda não tomou nenhuma atitude oficial contra ela.
Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão, por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Agora, o caso depende da Justiça italiana, que só deve dar os próximos passos após o fim do recesso no país, previsto para o fim de agosto. A análise do pedido pode ir até setembro.
Se o Brasil pedir oficialmente a extradição da deputada, os advogados devem argumentar que, por ela ter cidadania italiana, não pode ser enviada de volta. Também podem alegar que ela corre risco de ter seus direitos violados no Brasil, argumento já usado em outros casos semelhantes julgados na Itália.
Enquanto isso, o governo brasileiro já incluiu o nome de Zambelli na lista da Interpol, bloqueou seus bens e perfis em redes sociais e encaminhou o pedido de extradição. A defesa, porém, insiste que ela não está foragida e que está “à disposição das autoridades italianas”.
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Quem é Carla Zambelli?
Carla Zambelli é uma deputada federal brasileira conhecida por sua atuação política conservadora e por ser uma figura bastante polêmica no cenário nacional.
Zambelli ganhou destaque ao fundar o movimento “Nas Ruas”, que teve papel importante nos protestos contra a então presidente Dilma Rousseff. Eleita deputada federal por São Paulo em 2018, ela foi reeleita em 2022, consolidando sua influência entre setores conservadores do país.
No entanto, a trajetória de Zambelli também está marcada por diversas polêmicas. Em 2022, ela foi envolvida em um caso de porte ilegal de arma após apontar uma arma para um homem em São Paulo, o que gerou um processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Mais recentemente, em 2025, Zambelli foi condenada pelo STF a dez anos de prisão por participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por crimes relacionados a falsidade ideológica.
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