A gordura no fígado, também chamada de esteatose hepática, é uma condição cada vez mais comum e muitas vezes silenciosa. Embora uma pequena quantidade de gordura no órgão seja considerada normal, níveis acima de 5% já exigem atenção médica, pois podem indicar desequilíbrio metabólico.
Quando não tratada, a doença pode evoluir para quadros mais graves, como inflamação hepática, fibrose, cirrose e até câncer. O diagnóstico costuma ser feito por exames de sangue e imagem solicitados em consultas de rotina, especialmente em pacientes com fatores de risco.
Nova possibilidade de tratamento
A hepatologista Renata Bona, do Hospital Jayme da Fonte, explica que a esteatose é frequentemente silenciosa e atinge principalmente pessoas com sobrepeso, diabetes ou hipertensão. Segundo ela, uma nova alternativa terapêutica foi recentemente autorizada no Brasil.
“Desde dezembro de 2025, a Anvisa liberou um novo tratamento, que é a semaglutida. Ela melhora não só a esteatose, mas também a inflamação causada pela doença e a fibrose, que já seria a sequela que essa inflamação causa no fígado”, afirma a especialista.
A semaglutida é um medicamento que atua de forma semelhante ao hormônio GLP-1, produzido naturalmente pelo organismo. Entre seus efeitos estão:
- Estímulo à secreção de insulina
- Redução da liberação de glucagon
- Retardo do esvaziamento gástrico
- Auxílio na perda de peso
Essas ações ajudam a controlar fatores metabólicos diretamente ligados ao acúmulo de gordura no fígado.
Tratamento exige acompanhamento
Apesar dos resultados promissores, o uso da semaglutida não substitui mudanças no estilo de vida. A própria especialista reforça que o tratamento deve ser acompanhado por equipe médica e associado a ajustes na alimentação e prática regular de exercícios.
“Com certeza, o tratamento precisa ter acompanhamento regular com o médico, cumprindo as medidas dietéticas, com nutricionista e atividade física”, complementa Renata Bona, destacando que o medicamento também é utilizado no controle da obesidade.
Principais fatores de risco
De acordo com o Ministério da Saúde, a gordura no fígado pode ser classificada em dois tipos: alcoólica, relacionada ao consumo excessivo de álcool, e não alcoólica, associada principalmente ao estilo de vida.
Entre os fatores de risco mais comuns estão:
- Excesso de peso
- Diabetes tipo 2
- Hipertensão
- Síndrome metabólica
- Acúmulo de gordura abdominal
- Apneia do sono
- Síndrome do ovário policístico
O excesso de peso é responsável por grande parte dos casos não alcoólicos.
Prevenção continua sendo essencial
Mesmo com novas opções terapêuticas, a prevenção ainda é o principal pilar no combate à esteatose hepática. A perda de peso gradual, especialmente entre 5% e 10% do peso corporal, já pode reduzir significativamente a gordura acumulada e a inflamação no fígado.
Alimentação equilibrada, redução de ultraprocessados e prática regular de atividade física continuam sendo estratégias fundamentais. A medicação surge como aliada importante, mas o cuidado diário com o estilo de vida segue sendo decisivo para preservar a saúde hepática a longo prazo.
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