Produtor de cinema brasileiro recebe grave acusação de 18 mulheres e se pronuncia

Gustavo Beck
Gustavo Beck (Reprodução/ Youtube)

O produtor e curador de cinema Gustavo Beck está sendo acusado por 18 mulheres de agressão e assédio sexual, de acordo com uma matéria publicada no site The Intercept, que cita um padrão de comportamento relatado pelas vítimas. Tudo começou depois que a americana Cat de Almeida fez uma postagem em seu Facebook relatando que queria falar sobre agressão sexual, machismo e opressão na indústria do cinema. Ela citou Beck nominalmente em sua postagem, que se espalhou ganhando o apoio de várias pessoas, entre elas, a cineasta Flora Dias, que também colocou a boca no trombone e escreveu nos comentários sobre a coragem de Cat de falar sobre o que Gustavo fazia, apesar de ele ter negado todas as acusações. Como a postagem já apagada, acabou viralizando, mais vítimas surgiram.

Depoimentos indicam que Beck supostamente agrediu, assediou ou estuprou suas vítimas depois de conhecê-las por meio de seu trabalho no circuito de festivais, onde muitas vezes serviu em dobro como produtor de cinema e curador de festivais. Algumas das mulheres alegam que Beck as coagiu a fazer sexo indesejado ou que se tornou violento após ter sido inicialmente consensual. Uma mulher que consegue corroborar os depoimentos das vítimas é a ex-namorada de Beck, a cineasta Deborah Viegas, a quem algumas das mulheres procuraram depois de compartilhar o post de Almeida na rede social. Viegas se colocou a disposição para que as vítimas a procurassem através de mensagens privadas.

O site The Intercept fez contatos com as 18 mulheres (de seis países diferentes), e a maioria preferiu não ter suas identidades reveladas, porém explicaram que só não denunciaram o cineasta por causa de sua grande influência no mercado cinematográfico. A experiência descrita por Cat, segundo ela aconteceu durante o Festival Bafici Film, em Buenos Aires. Depois de um pouco de conversa, e algumas taças de vinho, ele pediu para que eles fossem para o apartamento dele sob falsos pretextos profissionais. “A partir do momento em que entramos, o contato passou a ser insistentemente físico, e eu disse ‘isso não vai acontecer’. Até que ele agarrou meu cabelo e me deu uma mordida na parte de trás da minha cabeça. Fui até a porta e ele bloqueou minha passagem e me empurrou. Então ele tirou minha calça e a dele”, disse ela que conseguiu abrir a porta e sair correndo.

O site procurou a promotora do Ministério Público de São Paulo Gabriela Manssur, responsável pelo caso João De Deus, que afirmou que sete dos casos relatados pelas vítimas podem constituir estupro ou tentativa de, quatro possíveis situações de assédio sexual, um caso de agressão física e dois casos de violência psicológica, além de quatro casos de importunação sexual, quando a vítima tem seu corpo tocado sem permissão ou obrigada a beijar alguém.

“Nego incondicionalmente todas as acusações e das únicas duas situações que são descritas com autoras nomeadas, posso dizer que me assusta e me entristece como as pessoas podem reavaliar livremente as suas subjetividades, empregando a estas acusações criminais anos mais tarde”, disse Beck ao The Intercept em uma longa carta.

Ele atualmente reside em Portugal, atuou como programador convidado do Festival Internacional de Cinema de Rotterdam e curador do festival Viennale na Áustria e do festival Bafici na Argentina. Também fez parte do júri do IndieLisboa este ano em Portugal. O Festival de Cinema de Rotterdam, em um comunicado divulgado em seu site, disse: “Gustavo Beck trabalhou para o IFFR como escuteiro freelance e programador convidado entre 2016 e 2020. Em maio de 2020, quando as acusações de má conduta sexual foram trazidas à nossa atenção diretamente, O IFFR deu uma série de etapas, resultando em uma interrupção de qualquer colaboração futura com Beck. Enquanto os detalhes dos eventos estavam sendo disputados, finalmente ficou claro que continuar nossa colaboração com Beck não apoiaria nossos valores centrais como uma organização cultural e uma plataforma de abertura, respeito e amor pelo cinema […] No entanto, o IFFR também é destacado, pois as alegações contra Gustavo Beck vão além da conduta sexual imprópria para várias instâncias de conflito de interesses”.

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